Você sabe quanto seu parceiro ganha? Veja se essa informação deve ou não ser compartilhada

Qual é o salário do seu cônjuge? De acordo com o SPC Brasil, 3 em 10 brasileiros não fazem ideia. Contar ou omitir? Confira o que dizem os especialistas.

Em pesquisa realizada no segundo trimestre de 2016 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revelou-se que 29,2% dos brasileiros não sabe ao certo quanto o companheiro ganha. Isso em números pode ser convertido em três para cada dez pessoas.

Para muitos casais, a omissão dessa informação pode ser considerada um fator de privacidade. No entanto, ao tentar manter o segredo, 43,9% das famílias possuem algum morador que os prejudica na gestão financeira da casa. Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, mesmo que a responsabilidade por gerir as finanças seja de uma única pessoa, o diálogo é fundamental para que práticas responsáveis de consumo sejam integradas. “O assunto precisa ser encarado como algo necessário, já que todos são afetados pelo modo como o dinheiro da família é administrado dentro de casa”, diz Vignoli.

Estes são os principais motivos de brigas entre os casais

Irresponsabilidade e infidelidade financeira

É direito de cada um escolher por dizer ou não quanto recebe de salário. Perde a razão somente aquele que vive de forma compartilhada sem discutir sobre finanças ou fazer sua parte para a harmonia do lar. Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, uma única pessoa agindo de forma irresponsável é o suficiente para comprometer o orçamento da família toda.

Além do fator irresponsabilidade, a omissão pode vir de outras formas. Dentre os entrevistados, quase 30% afirmam que, apesar de compartilharem informações sobre todas as contas que pagam no mês, omitem algum gasto pessoal. Veja o resultado dessas “escapadas”:

Entre as mulheres:

  • 62% gastam em roupas;
  • 59,9% gastam em calçados;
  • 49,4% gastam em maquiagem, perfume e cremes;
  • 39,9% gastam em acessórios.

Entre os homens:

  • 24,2% gastam com carro e moto;
  • 22,5% gastam com jogos;
  • 15% gastam com cigarro e bebidas;
  • 8,3% gastam com artigos esportivos.

Independentemente de quem gaste mais com artigos superficiais, a questão é que estes entrevistados têm suas próprias táticas para esconder essas compras, e 41,5% dizem fazê-las para evitar brigas. Para Kawauti, viver nestes moldes certamente não é uma solução, e existe um meio termo que os casais podem adotar entre prestar conta de tudo o que gastam e ter de escondê-lo.

Para ela, “despesas omitidas podem prejudicar o equilíbrio do orçamento familiar, mesmo a curto prazo, ocasionando problemas graves para a família. O ideal é reservar uma parte do orçamento para que cada um possa arcar com os itens pessoais”.

Diálogo e transparência ainda são as melhores ferramentas

Falta de transparência nunca é uma saída positiva, seja qual for o contexto. No âmbito familiar, onde o comportamento de um reflete no bem-estar de todos os envolvidos, ser franco e deixar tudo muito bem estabelecido é fundamental para progredirem – seja saldando dívidas ou colocando em prática projetos de vida em comum.

Dentre todos os 804 entrevistados nessa pesquisa, 76,6% deles afirmaram que têm algum plano com o cônjuge para os próximos dez anos, no entanto, pouco mais da metade (54,4%) realmente faz algo de concreto para contribuir para a realização. 85,2% dos entrevistados dizem ter conhecimento também sobre investimentos e aplicações, mas mais de 20% não fazem ideia do valor.

Não é questão de controle ou restrições. Ao optar pela vida em conjunto, conversar sobre dinheiro deve estar em pauta principalmente quando ambos ainda não estão endividados. Em geral, quando um dos cônjuges procura pela conversa e auxílio, pode ter certeza que o pior já foi feito.

5 itens que os recém-casados devem repensar sobre finanças

Para estabelecer uma harmonia financeira e para o relacionamento de um modo geral, recomenda-se a utilização de uma planilha de orçamento mental onde ambos tenham acesso e contribuam com seus objetivos individuais e conjuntos. Não precisa abrir conta conjunta, nem centralizar o “poder” das finanças em uma só pessoa, desde que ambos se comprometam em preencher a planilha com os gastos efetuados de suas contas individuais.

Nos casos onde um ganha mais que o outro, recomenda-se estipular uma porcentagem do salário para que a contribuição seja justa a ambos. Como exemplo, pode-se definir 10% do salário de um cônjuge que ganha R$ 5 mil (R$ 500) e outros 10% daquele que ganha R$ 2 mil (R$ 200). Novamente, entra em cena o diálogo, para que ambos cheguem a um consenso e estipulem o que for mais sensato e confortável para a vida do casal.

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