5 piadas preconceituosas que você deve parar de fazer hoje

Está na hora de começar a perder a piada. Quando o ódio e o retrocesso fazem parte do cenário mundial, evolua e mude o repertório de piadas preconceituosas.

Em tempos de retrocesso e intolerância, o melhor que você faz é sim perder a piada. Não adianta tentar se justificar, piadas preconceituosas nunca sequer deveriam ter ganho espaço – principalmente perante grandes mídias.

A partir do momento em que alguém ganha ouvidos para soltar piadas propagadoras de preconceito, ódio, injúrias ou desqualificações, automaticamente ganha-se uma legião de simpatizantes e defensores para repetir o discurso.

Piadas preconceituosas: temas que não têm graça

Ditadura do politicamente correto, falta de liberdade de expressão e outros discursos podem ser utilizados como argumentos por quem foi censurado por abraçar piadas preconceituosas como única forma de fazer “humor”. Entretanto, utilizar-se do inconsciente coletivo preconceituoso e quase sempre propenso a rir-se delas é apenas um disfarce para falta de criatividade, sensibilidade e inteligência.

Aos que insistem em praticar tais discursos em busca de audiência, é bom lembrar do que seus pais provavelmente já te ensinaram em determinada altura: quem diz o que quer, escuta o que não quer.

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1. Racismo

“Mas é só uma brincadeira, ele não liga”. Essa é a justificativa que muitas pessoas, inclusive entre amigos, utilizam para camuflar o racismo com piadas, principalmente por uma questão de identidade nacional: temos preconceito de sermos preconceituosos, uma vez que o brasileiro é conhecido pela sua receptividade e harmonia entre as raças. Mito!

Estamos em um país que mais mata negros no mundo, e há até pouco tempo atrás tínhamos nomes como Os Trapalhões e Chico Anísio fazendo as vezes com piadas preconceituosas na TV – aumentando ainda mais o repertório de muitos espectadores que até então não haviam nem sequer pensado sobre fazer chacota sobre questões raciais.

E então? Tudo bem para você continuar diminuindo ou desqualificando alguém pela cor da pele? Você pode até tentar se justificar dizendo que não tem nada a ver e sofreu isso ou aquilo na escola por determinada característica, mas isso não exclui os séculos de escravização que o seu “amigo que não liga” precisa carregar sobre os ombros até os dias de hoje.

Não está tudo bem em fazer piadas racistas. Previsto na Lei n. 7.716/1989, racismo é crime inafiançável e imprescritível, enquadrado diante de situações como recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, às entradas sociais em edifícios, negar emprego em empresa privada, entre outros. Apologia ao nazismo e outras formas de propagação de ódio a toda a integralidade de uma raça também configuram o crime.

Nos casos de injúria racial, prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, aquele que ofender a dignidade ou decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, pode ser condenado a pena de até 8 anos de reclusão.

2. Homofobia

Logo você, que até tem um amigo gay. Geralmente essa é uma das maiores desculpas utilizadas por quem gasta o repertório de piadas homofóbicas, mas não se diz preconceituoso – curioso, não?

Disfarçados de uma homofobia velada, comentários começam com um “não tenho nada contra, mas” e terminam com tons de repulsa ou mesmo sarcasmo por aqueles que se dizem abertos o suficiente para aceitar a diversidade. Em muitos casos, pessoas que reproduzem piadas preconceituosas não admitem o próprio preconceito e possuem dentro de si algo mal resolvido, principalmente devido a repetições aprendidas dentro do próprio seio familiar com gerações passadas.

Assim como para os demais tópicos, o primeiro passo para evoluir como ser humano é parar de repetir piadas preconceituosas e dar ouvidos a figuras que propagam discursos de ódio. Ninguém nasce preconceituoso, mas aprende a ser. Cabe a você desaprender.

No Brasil não existe legislação específica para condenar crimes de homofobia e transfobia, entretanto é possível efetuar denúncias pelo Disque 100 ou realizar um boletim de ocorrência de acordo com o ocorrido. As penalizações variam em cada estado brasileiro e, geralmente, costumam ser registradas como agressões ou constrangimentos, ao invés de homo/transfobia.

3. Intolerância religiosa

Não importa a sua religião (ou não religião), fazer piadas preconceituosas sobre determinada crença também deve ser riscada de qualquer repertório. Considerado um Estado Laico, sabemos muito bem que as coisas não funcionam bem assim no Brasil. Somente em 2014, foram registrados pelo Disque 100 cerca de 150 denúncias de intolerância religiosa.

Dentre as maiores vítimas estão indivíduos que seguem religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé. Em 2016, esse número de denúncias aumentou em 300%. Piadas preconceituosas desse teor propagam consequências como o bullying e até casos de homicídio.

Diante de episódios recentes como o ocorrido em Charlottesville, nos Estados Unidos, reforça-se ainda mais a necessidade de não propagar discursos de ódio ou intolerância – seja ela de gênero, raça ou credo.

Em pleno 2017, nos vemos diante de multidões portando bandeiras nazistas e ressaltando um dos períodos de maior retrocesso da história, responsável pela morte de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Munidos de tochas e voltando ainda mais no tempo, estaríamos prestes a retornar à Idade das Trevas?

No Brasil, intolerância religiosa é considerado crime de ódio e fere a liberdade e a dignidade humana. A pena pode chegar a 5 anos e está configurada como injúria, prevista no artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal.

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4. Machismo

O Brasil é um país que contabiliza 10 estupros coletivos por dia, uma estatística assustadora e que infelizmente levará muitos anos até que o fim da cultura do estupro e a igualdade de gênero se tornem realidades palpáveis. Piadas machistas, por sua vez, estão muitas vezes disfarçadas de indiretas e ameaças. Com medo de represálias (quanto mimimi, moça!) ou violência, tanto as vítimas quanto demais mulheres ao entorno se calam. Até quando?

Muito mais do que a necessidade  uma atitude conjunta, entre homens e mulheres, para combater o machismo, a sororidade é uma palavra que não está nos dicionários, mas deve fazer parte da vida de todas as mulheres. Não sirva de plateia para o machismo, não propague piadas preconceituosas, e não se cale diante delas.

No Brasil, discurso de ódio ou discriminatório contra mulheres não é considerado crime. Por aqui, temos em vigor a Lei do Feminicídio, nº 13.104, sancionada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff. Nela, torna-se hediondo o assassinato cometido justamente pelo fato de a vítima ser mulher, o que inclui também consequências da violência doméstica.

5. Xenofobia

Se você já sofreu preconceito por ser brasileiro durante uma viagem ao exterior, ou ficou irritado porque alguma celebridade gringa fez piada sobre o Brasil, imagine ter que engolir piadas preconceituosas sobre a sua regionalidade dentro do seu próprio país.

Desde sotaques até costumes particulares a cada cidade ou estado, o humor sobre esse tema possui linhas muito tênues entre aquilo que é aceitável e saudável a todos, e o momento em que se torna chacota. Xenofobia e bairrismo também são atitudes consideradas criminosas, configurada também diante da Lei n. 7.716/1989.

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