Ex-presidiária vira empreendedora

Com a venda de salgados em Poá, São Paulo, ela já consegue sustentar a família toda

Foram cinco anos, oito meses e 100 dias de prisão. Três anos em regime fechado em presídios de Campinas e Butantã. Em 2007, ao sair da cadeia, Virginia Rodrigues Pereira, de 44 anos, achou que não teria mais chances na vida. Mas ela estava errada. Após ouvir diversos “nãos” e encontrar muitas barreiras para conseguir se sustentar, este ano ela finalmente conseguiu o seu certificado de empreendedora e agora vende salgados. Virginia participou de um projeto-piloto da ONG Gerando Falcões, em Poá (SP). Presa em 2004, ela nega sua participação no crime.

“Eu não tenho um grau de escolaridade para conseguir um bom emprego. Fiz vários bicos de faxina, mas nunca conseguia nada fixo. As pessoas têm muito preconceito, já ouvi muito não. Uma vez fui fazer uma entrevista de emprego e a entrevistadora falou pra uma funcionária: ‘olha o que mandam pra mim. Vai me fazer refém?’. Era humilhante”, disse ao site G1.

Após passar muitas dificuldades, ela hoje conseguiu comprar um fogão industrial e uma geladeira. Tudo com a venda de salgado. Virgínia é sua própria chefe. “Comecei a ter aulas e aprendi como guardar dinheiro, investir, administrar e lucrar. Consigo comprar as minhas coisas e fazer planos, como qualquer outro cidadão. Não posso levar comigo a mancha de ser regressa. Agora tenho planos”, comentou.

Crime

Em 1992, Virginia, a mãe e os filhos saíram de Ilhéus (BA), para morar em Poá (SP). Em seu primeiro emprego em São Paulo ela conheceu um homem e os dois começaram a namorar. “Comecei a namorar com um rapaz que tinha dois irmãos. Ele me disse que eles tinham problemas com drogas, mas que estavam se livrando do vício. Eu tive uma chance de serviço melhor, para trabalhar em eventos, e indiquei eles. Eu já namorava há mais de um ano e minha vida tomou outro rumo”, disse ela ao site G1.

Virgínia, o namorado e o irmão dele pegaram um taxi para ir trabalhar em um evento. “No meio do caminho, fui surpreendida. Um dos irmãos puxou a arma e colocou na cabeça do taxista. Eu gritei, fiquei horrorizada. Não esperava aquilo. Em certo momento, o taxista se jogou do carro, perto de uma base da Polícia Militar. Depois de alguns metros, havia um cerco. Pararam o carro e mesmo dizendo que eu não tinha nada a ver fui presa, porque o taxista me reconheceu como ocupante do carro”, contou.

Foto: Divulgação Gerando Falcões

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